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3ª sessão do Seminário Permanente em Cinema e Filosofia

02 de Abril de 2019

Dia  2 de Abril, terça-feira, 18h-20h, Ed. I&D, sala 1.05, piso 1, o investigador Diego Hoefel apresenta Reinvenções Dramatúrgicas do Melodrama no Cinema Contemporâneo: Os Três Macacos e Sono de Inverno, de Nuri Bilge Ceylan

Resumo:

A obra do realizador turco Nuri Bilge Ceylan é exemplar para se refletir sobre as recentes transformações da dramaturgia no cinema contemporâneo. Nos últimos anos, Ceylan tem experimentado diferentes maneiras de ruptura da estruturação dramática clássica e, em paralelo, associado essas quebras à utilização de códigos do cinema de gênero, em especial do melodrama. Como se dá essa construção e de que forma ela colabora para uma reflexão acerca das reapropriações do melodrama no contexto contemporâneo? A partir dessa questão, o presente trabalho busca investigar de que maneira os filmes Os Três Macacos (2008) e Sono de Inverno (2014) incorporam o melodrama em seus relatos e em que medida essa incorporação opera reinvenções ou mudanças na própria construção dramatúrgica dos filmes. Através disso, espera-se investigar como cada um dos filmes se posiciona em relação a questões morais aplicadas à vida privada de seus personagens. É essencialmente nesse sentido que ambas as obras se vinculam ao melodrama, gênero que irá, desde sua origem, associar conflitos éticos e intimidade. Essa articulação surge do próprio projeto moderno, dentro do qual o melodrama tem seu início, e se justifica como forma de regular as relações interpessoais no contexto pós-sagrado. O excesso, que é uma das características principais do gênero, aparece como uma forma de potencializar o engajamento sensorial e sentimental do leitor/espectador para que ele experimente emocionalmente as situações-limite sob as quais os personagens são colocados. Essa experiência, no melodrama canônico, funciona à serviço da pedagogia das sensações, isto é, serve para conduzir a apreensão do espectador no sentido do entendimento moral que a obra busca evidenciar. De que forma o cinema contemporâneo repensa a relação entre o melodrama e esse modo de percepção do mundo construído a partir de um posicionamento taxativo acerca dos vícios e virtudes? A recente obra de Ceylan apresenta distintas formas de se pensar essa questão.


Bio:

Diego Hoefel é professor do Instituto de Cultura e Arte da Universidade Federal do Ceará (Brasil), no curso de Cinema e Audiovisual. Possui Mestrado em Comunicação Social pela Universidade Federal do Ceará (Brasil) e graduação em Cinema pela Universidade Federal Fluminense (Brasil). Atualmente é doutorando em Estudos Artísticos na Universidade Nova de Lisboa (Portugal), sob orientação da Professora Dra. Maria Irene Aparício. Foi vice-coordenador do curso de graduação em Cinema e Audiovisual da UFC (Brasil) no período 2013-2014 e coordenou entre 2011 e 2017 a Mostra PERCURSOS. Tem experiência na área de Comunicação, com ênfase em cinema. Investiga principalmente os seguintes temas: dramaturgia e roteiro cinematográfico, cinema contemporâneo, gêneros cinematográficos e afeto. Atua também como roteirista e realizador. Entre os seus últimos trabalhos, destacam-se os roteiros dos filmes “Corpo Delito” (2016), que teve sua estreia internacional na seleção oficial do Festival DOK Leipizig 2017; “Elon não Acredita na Morte” (2016), desenvolvido em parceria com João Salaviza e Ricardo Alves Jr. a partir do prêmio Hubert Balls do Festival de Rotterdam (Holanda); “Tremor” (2013), que teve sua estreia na competição Pardi di Domani do Festival de Locarno (Suiça) e “Permanências” (2011), selecionado na Semana da Crítica do Festival de Cannes (França). Desde 2016, participa de um núcleo criativo de pesquisa dramatúrgica sobre as atualizações contemporâneas do cinema de gênero, com coordenação de Karim Aïnouz. Desenvolve atualmente sua pesquisa de doutorado com foco nas reinvenções da comédia no cinema contemporâneo.

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